Sexta-feira, 13 de maio de 2022

Estudo com participação de pesquisador do SGB-CPRM é publicado na revista Nature

Pesquisa com fóssil do Araripe repatriado sugere que pterossauros tinham penas coloridas

O fóssil de um pterossauro - repatriado ao Brasil após ação conjunta entre o Serviço Geológico do Brasil e o Ministério de Relações Exteriores – deu origem ao estudo que foi publicado em uma das principais revistas científicas do mundo, a Nature.

A pesquisa teve como coautor o paleontólogo Edio-Ernst Kischlat, pesquisador da Sureg-PA - unidade em Porto Alegre do SGB-CPRM. O texto relata que a protuberância na região da cabeça do exemplar estudado de um pterossauro da espécie Tupandactylus imperator possuía duas coberturas de tecido mole análogas a penas coloridas: uma de tamanho reduzido e constituída por um filamento único semelhante a um cabelo; e outra maior, formada por estruturas ramificadas, mais parecida com as penas das aves atuais.

O estudo foi coordenado pela paleontóloga Maria McNamara, do University College de Cork (UCC), da Irlanda, e também contou com a autoria de outros pesquisadores, como o biólogo Hebert Bruno Nascimento Campos, do Centro Universitário Maurício de Nassau, de Campina Grande, na Paraíba.

Novas Perspectivas A pesquisa diz respeito a um fóssil de pterossauro do Cretáceo (113-125 milhões de anos atrás) da Bacia do Araripe do nordeste brasileiro. Este foi preliminarmente identificado como Tupandactylus imperator, mas estudos mais aprofundados continuam em decorrência do Projeto de Mapeamento Geológico da Bacia do Araripe, dentro da Divisão de Bacias Sedimentares (DIBASE) do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM). Este espécime pode, aliás, representar uma espécie nunca antes registrada. Caso isto se confirme até já existe um nome escolhido: Nimuendaju akangytara (do tupi: o senhor de cocar).

Apenas parte do crânio está preservado e este mostra uma ampla crista, onde se observa dois esteios ósseos de sustentação (um na frente e outro atrás) que funcionariam como suportes para uma ampla lâmina córnea flexível. Nesta região, assim como na base da crista, foram encontradas restos de tecidos moles que incluem penas preservadas. Estas, por sua vez, mostram estruturas (melanossomos) que indicam que teriam sido coloridas e que serviriam para exibição, assim como nas atuais aves, que utilizam penas para mostrar a posse do território frente a rivais ou para atrair as fêmeas.

Nimuendaju akangytara poderia ter alcançado até 5 metros de envergadura, o que representa um animal bem maior que o padrão atual de aves voadoras que alcançam no máximo 3,5 metros de envergadura (albatroz).


Técnica de Pesquisa
Com o uso de microscopia eletrônica, os pesquisadores encontraram, no tecido mole da crista preservada em rocha, dois tipos de melanossomos, com formatos diferentes. Essas organelas carregam o pigmento melanina, que dá cor à pele e às penas das aves atuais e de alguns dinossauros. Uma das formas das organelas tem uma geometria mais arredondada; a outra é mais comprida e ovalada. Os melanossomos foram identificados no interior de picnofibras da crista do Tupandactylus, um tipo de filamento denso típico da pele de pterossauros. Alguns estudiosos consideram as picnofibras como um revestimento mais semelhante aos pelos dos mamíferos. Outros, como a equipe do novo estudo, argumentam que são uma variante das penas.

Fóssil Repatriado
O fóssil estava em posse do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, de Bruxelas, e foi repatriado para o Museu de Ciências da Terra (MCTer), do Serviço Geológico do Brasil ‒ CPRM, no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano. A ação foi amigável e contou com a interlocução do Ministério das Relações Exteriores.

O estudo repercutiu nas principais publicações científicas do Mundo:

Revista Nature
Revista Pesquisa FAPESP
Revista Galileu
Revista Um Só Planeta
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